BANGUÊ

O BANGUÊ é dançado sem sapatos, com roupas coloridas. As saias das mulheres são franzidas e elas trazem muitos enfeites nas cabeças. Já os homens usam calças compridas e camisas igualmente coloridas, em geral combinando com as roupas das parcerias.
No Pará, a dança surge logo após a abolição da escravatura no município de Cametá, através da chegada de negros que haviam fugido de engenhos de cana-de-açúcar da ilha do Marajó. A palavra "Banguê" significa "engenho de açucar", em um dialeto africano, por isso a dança também é conhecida como "dança dos engenhos". Durante a dança, homens e mulheres se movem de forma frenética para imitar o movimento ondulatório do melado que desce do tacho superaquecido quando se está fazendo o mel de cana. Em alguns momentos da apresentação, os participantes se movem de forma mais rápida. Segundo levantamento antropológico feito em Cametá, esse momento representaria a alegria dos escravos quando ocorriam as paradas nos intervalos das atividades no engenho.
A musicalidade presente no Banguê também relembra a vida, o sofrimento e a identidade cultural dos negros escravos que trabalhavam em engenhos do Pará. Confira um dos exemplos:

Cantiga de engenho

Meu engenho é banguê
Banguê, banguê, banguê!
Meu engenho roda d´água
é danado pra moer!

Fornalheiro, fornalheiro,
Bote fogo na fornalha,
Que o engenho está fumaçando,
Mas a tacha não trabalha!

Moendeiro, moendeiro,
Bote a roda pra correr,
Tome conta da moenda,
Bote cana pra moer!

Meu engenho é banguê,
Banguê, banguê, banguê,
Meu engenho roda d?água
É danado pra moer!

Seu mestre, segure o ponto,
Olhe o mel que está de vez,
Seu mestre não se descuide,
Não vá queimar outra vez!

O açúcar está pesado,
Ensacado pra vender,
Senhor de engenho na praça.
Com dinheiro já se vê!

Meu engenho é banguê,
Banguê, banguê, banguê,
Meu engenho roda d?água
É danado pra moer!

Palavra da presidente
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Banguê
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